ASTM A320 — Parafusos e Estojos para Serviço em Baixa Temperatura
Composição química, propriedades mecânicas, ensaio Charpy e marcação por grau
A norma ASTM A320/A320M especifica parafusos, estojos e outros fixadores rosqueados externos em aço liga e aço inoxidável destinados a vasos de pressão, válvulas, flanges e conexões em serviço de baixa temperatura — criogênico, subzero e aplicações onde a tenacidade ao impacto é crítica. A versão vigente é a A320/A320M-24a. O diferencial central desta norma em relação à A193 é o ensaio Charpy V-notch (CVN) obrigatório para todos os graus ferríticos e para a maioria dos austeníticos, garantindo resistência ao impacto nas temperaturas de projeto. O requisito geral complementar indispensável é a Specification A962/A962M.
Graus Abordados Neste Artigo
Este artigo abrange os seguintes graus da A320, separados em dois grupos:
- Aços Ferríticos: L7, L7M e L43
- Aços Austeníticos Inoxidáveis: B8 (Classes 1, 1A e 2) e B8M (Classes 1, 1A e 2)
A norma também cobre as variantes L7A, L7B, L7C, L70, L71, L72, L73 e L1 (ferrríticos) e B8C, B8T, B8P, B8F, B8LN e B8MLN (austeníticos), que seguem o mesmo padrão de ensaio mas com composições ligeiramente distintas. Para cada grau principal são apresentadas: composição química, requisitos mecânicos, ensaio Charpy, tratamento térmico e símbolo de marcação.
Marcações por Grau
O sublinhado nos graus Classe 2 indica encruamento (strain-hardened). A marcação do fabricante (RMO) aparece no campo superior do símbolo.
| Grau A320 | Marcação Parafuso / Estojo |
Porca Compatível |
|---|---|---|
| L7 | ||
| L7M | ||
| L43 | ||
| B8 Classe 1 | ||
| B8 Classe 1A | ||
| B8 Classe 2 | ||
| B8M Classe 1 | ||
| B8M Classe 1A | ||
| B8M Classe 2 |
Ensaio Charpy — O Diferencial da A320
O ensaio Charpy V-notch (CVN) mede a energia absorvida pelo material ao ser fraturado por impacto em determinada temperatura. Na A320, esse ensaio é obrigatório e determina se o material é adequado para a temperatura de projeto — não basta atender à resistência mecânica estática.
Requisitos de Impacto por Grau (Tabela 2 da norma)
| Grau | Temp. de ensaio | Corpo de prova | Energia média mín. (3 CP) | Energia mín. individual |
|---|---|---|---|---|
| L7M, L70, L71, L72, L73 | –100 °F [–73 °C] | 10 × 10 mm | 20 ft·lbf [27 J] | 15 ft·lbf [20 J] |
| L7M, L70, L71, L72, L73 | –100 °F [–73 °C] | 10 × 7,5 mm | 16 ft·lbf [22 J] | 12 ft·lbf [16 J] |
| L7, L7A, L7B, L7C, L43 | –150 °F [–101 °C] | 10 × 10 mm | 20 ft·lbf [27 J] | 15 ft·lbf [20 J] |
| L7, L7A, L7B, L7C, L43 | –150 °F [–101 °C] | 10 × 7,5 mm | 16 ft·lbf [22 J] | 12 ft·lbf [16 J] |
| L7, L7A, L7B, L7C, L43 | –150 °F [–101 °C] | 10 × 10 mm | 40 ft·lbf [54 J] | 30 ft·lbf [41 J] |
| L1 | –100 °F [–73 °C] | 10 × 7,5 mm | 32 ft·lbf [44 J] | 24 ft·lbf [32 J] |
Aços Ferríticos — Processo de Fabricação
Os graus ferríticos L7, L7M, L43 e variantes são tratados por têmpera e revenimento. As barras devem ser resfriadas à temperatura ambiente após a laminação ou forjamento, reaquecidas uniformemente acima da temperatura crítica de austenitização, temperadas em meio líquido e revenidas acima das temperaturas mínimas especificadas. O uso de têmpera em água é proibido quando o tratamento térmico é realizado após o cabeçamento ou laminação das roscas.
Para o L7M, o tratamento térmico final (revenimento ou alívio de tensões) deve ser realizado após a usinagem ou laminação das roscas e qualquer tipo de corte, a no mínimo 1150 °F [620 °C]. Este requisito é o que distingue o L7M do L7.
Grau L7 — Cromo-Molibdênio (AISI 4140/4142/4145)
O L7 é o grau ferrítico de maior uso na A320, baseado em aços Cr-Mo como AISI 4140, 4142, 4145, 4140H, 4142H e 4145H. Aplicável a diâmetros até 2½ in. [65 mm]. As variantes L7A (AISI 4037/C-Mo), L7B (AISI 4137/Cr-Mo), L7C (AISI 8740/Ni-Cr-Mo) e L70–L73 seguem a mesma estrutura de ensaio com composições distintas.
Composição Química (% em massa) — L7, L7M, L70
| C | Mn | P máx. | S máx. | Si | Cr | Mo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,38–0,48 * | 0,75–1,00 | 0,035 | 0,040 | 0,15–0,35 | 0,80–1,10 | 0,15–0,25 |
* Para o grau L7M, carbono mínimo de 0,28% é permitido desde que os requisitos de tração sejam atendidos; AISI 4130/4130H é permitido.
Requisitos Mecânicos
| Grau | Diâmetro máx. | Temp. Rev. mín. | Rm mín. | Re mín. (0,2%) | Elong. mín. | RA mín. | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| L7 | 2½ in / 65 mm | 1100 °F / 593 °C | 125 ksi / 860 MPa | 105 ksi / 725 MPa | 16% | 50% | 321 HBW / 35 HRC |
| L7M | 2½ in / 65 mm | 1150 °F / 620 °C | 100 ksi / 690 MPa | 80 ksi / 550 MPa | 18% | 50% | 235 HBW / 99 HRB (mín. 200 HBW / 93 HRB) |
Ensaio Charpy
- L7: –150 °F [–101 °C] — energia média mín. 20 ft·lbf [27 J] (10×10 mm) ou 16 ft·lbf [22 J] (10×7,5 mm).
- L7M: –100 °F [–73 °C] — energia média mín. 20 ft·lbf [27 J] (10×10 mm) ou 16 ft·lbf [22 J] (10×7,5 mm).
Ensaios
- Tração: obrigatória — um ensaio de tração e um conjunto de três corpos de prova Charpy por diâmetro por calda.
- Charpy CVN: obrigatório — três corpos de prova por lote; temperatura e energia conforme tabela acima.
- Dureza: obrigatória. Para L7M, cada parafuso/estojo deve ser testado individualmente (Brinell ou Rockwell B); alternativa eletromagnética (E566) permitida com validação por amostra mínima de 100 peças.
- Expansão lateral (S2): facultativo — valor mínimo de 0,015 in. [0,38 mm] por espécime; temperatura definida pelo comprador.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 7 para L7 — com ensaio Charpy obrigatório. Grau 7M para L7M.
Grau L43 — Níquel-Cromo-Molibdênio (AISI 4340)
O L43 é baseado no AISI 4340, aço Ni-Cr-Mo de alta temperabilidade, utilizado quando diâmetros maiores são necessários mantendo boas propriedades de impacto em baixa temperatura. Aplicável a diâmetros até 4 in. [100 mm]. Quando especificado para –150 °F [–101 °C], podem ser necessárias restrições adicionais de P e S além das usuais para o AISI 4340.
Composição Química (% em massa)
| C | Mn | P máx. | S máx. | Si | Ni | Cr | Mo |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,38–0,43 | 0,60–0,85 | 0,035 | 0,040 | 0,15–0,35 | 1,65–2,00 | 0,70–0,90 | 0,20–0,30 |
Requisitos Mecânicos
| Diâmetro máx. | Temp. Rev. mín. | Rm mín. | Re mín. (0,2%) | Elong. mín. | RA mín. | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 4 in / 100 mm | 1100 °F / 593 °C | 125 ksi / 860 MPa | 105 ksi / 725 MPa | 16% | 50% | 321 HBW / 35 HRC |
Ensaio Charpy
–150 °F [–101 °C] — energia média mínima 20 ft·lbf [27 J] (10×10 mm) ou 16 ft·lbf [22 J] (10×7,5 mm). Energia adicional: 40 ft·lbf [54 J] (10×10 mm) — ver Tabela 2 da norma.
Ensaios
- Tração: obrigatória por lote.
- Charpy CVN: obrigatório a –150 °F [–101 °C].
- Dureza: obrigatória.
- Expansão lateral (S2): facultativo — nota: L43 é preferível ao L7 quando medições de expansão lateral a –150 °F [–101 °C] são exigidas.
- Material lingotado (S4): facultativo — proíbe o uso de material de lingotamento contínuo.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 7 (com ensaio Charpy). Porcas grau L43 (marcadas L43) também podem ser fornecidas, sujeitas aos requisitos de carga de prova do grau 7.
Aços Austeníticos Inoxidáveis — Conceitos Gerais
Os graus austeníticos da A320 recebem tratamento de solubilização de carbonetos, nas mesmas classes da A193:
- Classe 1: solubilização após laminação, forjamento ou cabeçamento — barras, arames e componentes acabados.
- Classe 1A: solubilização após todas as operações incluindo rosqueamento — apenas componentes acabados; maior resistência à corrosão intergranular.
- Classe 2: solubilização seguida de encruamento por deformação a frio.
Isenções de Charpy para Austeníticos
- Classes 1, 1A e 2 (todos os graus): isentos acima de –325 °F [–200 °C].
- B8, B8A, B8P, B8PA, B8C, B8CA, B8LN e B8LNA: isentos acima de –425 °F [–255 °C].
- Diâmetros ≤ ½ in. [12,5 mm]: isentos de Charpy, salvo S1.
- Quando exigido, os critérios de ensaio são acordados entre comprador e fornecedor.
Grau B8 / B8A — Inoxidável Austenítico 304 (UNS S30400)
O B8 Classe 1 é solubilizado antes do acabamento; o B8A Classe 1A é solubilizado após todas as operações de fabricação incluindo rosqueamento, para maior resistência à corrosão intergranular.
Composição Química (% em massa)
| C máx. | Mn máx. | P máx. | S máx. | Si máx. | Cr | Ni |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,08 | 2,00 | 0,045 | 0,030 | 1,00 | 18,0–20,0 | 8,0–11,0 |
Requisitos Mecânicos — Classes 1 e 1A (todos os diâmetros)
| Classe | Rm mín. | Re mín. (0,2%) | Elong. mín. | RA mín. | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 (B8) | 75 ksi / 515 MPa | 30 ksi / 205 MPa | 30% | 50% | 223 HBW / 96 HRB * |
| 1A (B8A) | 75 ksi / 515 MPa | 30 ksi / 205 MPa | 30% | 50% | 192 HBW / 90 HRB |
* Para diâmetros ≤ ¾ in. [20 mm], dureza máx. permitida 241 HBW / 100 HRB.
Ensaios
- Tração: obrigatória por lote.
- Charpy CVN: isento acima de –425 °F [–255 °C]; quando exigido, critérios acordados entre comprador e fornecedor.
- Dureza: obrigatória.
- Impacto para Classe 1A (S1): facultativo — quando propriedades de impacto são exigidas para graus normalmente isentos.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 8 (Classe 1) ou 8A (Classe 1A). Porcas também devem ser submetidas aos ensaios de impacto da A320 quando aplicável.
Grau B8 Classe 2 — Inoxidável Austenítico 304 Encruado
Após solubilização, o material é submetido a encruamento por deformação a frio para atingir resistências mecânicas significativamente maiores. As propriedades decrescem com o aumento do diâmetro.
Composição Química
Idêntica ao B8 Classe 1 (AISI 304 / S30400).
Requisitos Mecânicos — Classe 2
| Diâmetro (in) | Rm mín. (ksi) | Re mín. (ksi) | Elong. mín. (%) | RA mín. (%) | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|
| ≤ ¾ | 125 | 100 | 12 | 35 | 321 HBW / 35 HRC |
| > ¾ a 1 | 115 | 80 | 15 | 35 | 321 HBW / 35 HRC |
| > 1 a 1¼ | 105 | 65 | 20 | 35 | 321 HBW / 35 HRC |
| > 1¼ a 1½ | 100 | 50 | 28 | 45 | 321 HBW / 35 HRC |
Ensaios
- Tração full size: obrigatória após encruamento.
- Charpy CVN: isento acima de –325 °F [–200 °C]; quando exigido, critérios acordados.
- Dureza: obrigatória (mín. 200 HBW / 93 HRB para atender ao Rm mínimo).
- Dureza na raiz de rosca (S3): facultativo — para aplicações ASME; dureza máx. Rockwell C35.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 8 (solubilizado).
Grau B8M / B8MA — Inoxidável Austenítico 316 (UNS S31600)
O B8M Classe 1 é equivalente ao AISI 316, com adição de molibdênio (2–3%) que confere resistência superior à corrosão por pite e frestas. O B8MA Classe 1A é solubilizado após todas as operações de fabricação.
Composição Química (% em massa)
| C máx. | Mn máx. | P máx. | S máx. | Si máx. | Cr | Ni | Mo |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,08 | 2,00 | 0,045 | 0,030 | 1,00 | 16,0–18,0 | 10,0–14,0 | 2,00–3,00 |
Requisitos Mecânicos — Classes 1 e 1A (todos os diâmetros)
| Classe | Rm mín. | Re mín. (0,2%) | Elong. mín. | RA mín. | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 (B8M) | 75 ksi / 515 MPa | 30 ksi / 205 MPa | 30% | 50% | 223 HBW / 96 HRB * |
| 1A (B8MA) | 75 ksi / 515 MPa | 30 ksi / 205 MPa | 30% | 50% | 192 HBW / 90 HRB |
* Para diâmetros ≤ ¾ in. [20 mm], dureza máx. permitida 241 HBW / 100 HRB.
Ensaios
Idênticos ao B8 Classes 1 e 1A: tração e dureza obrigatórias; Charpy isento acima de –425 °F [–255 °C]; S1 e S3 facultativos.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 8M (Classe 1) ou 8MA (Classe 1A).
Grau B8M Classe 2 — Inoxidável Austenítico 316 Encruado
Mesmo aço 316 do B8M Classe 1, porém com solubilização seguida de encruamento a frio. As propriedades mecânicas são menores que as do B8 Classe 2 para o mesmo diâmetro, pois o molibdênio limita a capacidade de encruamento.
Composição Química
Idêntica ao B8M Classe 1 (AISI 316 / S31600).
Requisitos Mecânicos — Classe 2
| Diâmetro (in) | Rm mín. (ksi) | Re mín. (ksi) | Elong. mín. (%) | RA mín. (%) | Dureza máx. |
|---|---|---|---|---|---|
| ≤ ¾ | 110 | 95 | 15 | 45 | 321 HBW / 35 HRC |
| > ¾ a 1 | 100 | 80 | 20 | 45 | 321 HBW / 35 HRC |
| > 1 a 1¼ | 95 | 65 | 25 | 45 | 321 HBW / 35 HRC |
| > 1¼ a 1½ | 90 | 50 | 30 | 45 | 321 HBW / 35 HRC |
Ensaios
Idênticos ao B8 Classe 2: tração full size obrigatória; dureza mín. 200 HBW / 93 HRB; Charpy isento acima de –325 °F [–200 °C]; S3 facultativo.
Marcação
Porca correspondente (ASTM A194)
Grau 8M (solubilizado).
Porcas e Arruelas
A A320 define especificamente os graus de porca para cada material de parafuso/estojo, e todas as porcas devem ser submetidas aos mesmos ensaios de impacto da especificação — os corpos de prova são retirados das porcas ou dos blanks de porca, tratados termicamente junto com as porcas.
| Parafuso/Estojo A320 | Porca A194 requerida | Observação |
|---|---|---|
| L7, L7A, L7B, L7C, L43, L1, L70–L73 | 7 (A194) | Com ensaio Charpy obrigatório |
| L7M | 7M (A194) — dureza máx. 235 HBW | Com ensaio Charpy obrigatório |
| B8, B8C, B8T, B8P, B8F, B8LN, B8MLN | 8, 8C, 8T, 8F, 8M, 8LN, 8MLN (A194) | Impacto isento em muitas temperaturas |
| B8M | 8M (A194) | Impacto isento acima de –325 °F |
Arruelas para graus ferríticos devem conformar com a ASTM F436/F436M. Para graus austeníticos, as arruelas devem ser em aço inoxidável austenítico conforme acordo entre fabricante e comprador, com dimensões conforme ASME B18.21.1.
Revestimentos
A norma A320 não aborda revestimentos diretamente — aplica-se o mesmo princípio da A193: revestimentos são proibidos salvo especificação do comprador. Quando aplicados, as limitações de temperatura de serviço dos revestimentos devem ser consideradas (zinco máx. 390 °F [210 °C]; cádmio máx. 300 °F [160 °C]).
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